Inicio meu relato depois de praticamente dois meses dizendo que nós duas fomos capazes e que isso foi um dos motivos de ser tão lindo!
Desde que soube dessa vida sendo gerada em mim, quis dar sempre meu melhor e hoje com minha filha dormindo do meu lado enquanto escrevo é que vejo que dei meu melhor, corri atrás de um parto que me preenchesse como mulher, que fosse respeitoso pra minha menina e foi...
No dia 22 de junho, meu coração gritou por minha Maria, se preparou pra nossa hora que chegaria e eu soube que estava perto, que logo tudo ia começar intuição, sintonia, amor...
Havia uma expectativa esquisita que eu não sabia dizer, mas confiei na noite do dia 22 eu quis muito carinho, abraço, amor e busquei no Bruno que foi uma das pessoas mais lindas, atenciosas, paciente comigo, nossa filha estava chegando e a espera que consumimos nós dois estava perto de passar e passou!
Meia noite, todo mundo já estava dormindo, estava tudo escuro, mas eu não dormi, foi a primeira dor, e a dor mais feliz da minha vida, era ela!
Andei pelo quarto até quase duas horas da manhã, com medo, com certezas, com paz, com ondas de dores que me faziam sair de mim...
Eu disse que tudo teria trilha sonora, o som era mesmo o silencio do mundo, mas a música sim eu criei, cantei a beça dentro de mim e como diz aquela música “de baixo d'água tudo era mais bonito, mais azul, mais colorido só faltava respirar." respirei fundo como a minha amiga Narlla me orientou então minha bolsa rompeu, tudo molhou e eu enfim abracei minha hora e pude então acordar o Bruno e ligar pra minha mãe pra que ela nos buscasse!
Eu seguia na via e eu não fazia ideia do que ainda viria, das dores que eu sofreria mas meu coração estava pronto, eu estava, tinha me preparado pra recebe-la durante nove meses com a pessoa mais incrível do mundo na qual eu tenho uma profunda gratidão e que palavra alguma conseguiria expressar o quanto foi importante, a minha Doula, minha parceira, minha amiga, Camila Feldhaus Doula que já me estendeu a mão e que me trouxe paz assim que liguei dizendo que a Maria chegaria!
Ela veio voando, parecendo anjo mesmo rs chegou me acolhendo, acolhendo minha dor, meus olhares de que “não conseguiria” e de tudo que me disse lembro-me de todas as vezes que dizia: “Você esta indo super bem!” e eu estava... Precisava dela ali pra me lembrar de que eu quis tudo e que estava tudo sendo como sonhei.
Existe outra pessoa que também aprendi amar e que tinha que estar comigo pra tornar tudo mais lindo e que me proporcionou sim umas das experiências que me fez melhor hoje, como mãe, como mulher Kátia França, minha linda enfermeira obstetra que abraçou meu sonho de parir de forma respeitosa e linda e se é pra destacar, em meio a tantas ondas de dores eu disse que não conseguiria, e com um olhar, um aperto de mão ela me fez repetir: “Eu sou capaz, eu estou dando conta” e mudou tudo..
Eu estava cercada de pessoas que me amavam e que mais que isso amavam a minha filha, que estavam comigo e que caminharam comigo durante o tempo todo, o Bruno, minha mãe, minha prima Janaina e outras que foram protagonistas do cuidado, do zelo por minha filha e a mim.
Perdi noção do tempo, das horas mas avançamos centímetro em centímetro, em sorrisos, gritos, raiva, desistências, empoderamentos, força...
Chegou a hora de ir ao hospital, 4 cm de dilatação, bolsa rota e uma expectativa se lá daria tão certo como até então tinha dado na minha casa, parir com plantonista, mas a cada dor me unia a Jesus, me unia ao teu sacrifício da Cruz, oferecia minhas dores pela vida da minha filha, do medico que me assistiria, oferecia a todas as mães que foram violadas em seus partos...
Cheguei ao hospital e tive que escolher infelizmente entre o Bruno, a minha Doula ou a Kátia minha enfermeira, escolhi o pai da minha filha, que a gestou no coração por nove meses o ‘ser pai”.
Eu gritei o Bruno, eu quis que tudo acabasse, eu chamei minha Maria, eu fiquei de quatro, eu silenciei, eu tomei banho eu brinquei no cavalinho e enfim expulsivo.
Respirava fundo, esperava a hora da minha Maria e fazia força até que o médico começou a dizer
como era a cor do seu cabelo, que ela estava bem perto de vir ao meu colo e eu lembrei de tudo, do primeiro positivo, do medo de não conseguir meu parto, dos diagnósticos que me fizeram chorar, Pelos sorrisos em cada ultrassom, todos os enjoos, tudo aquilo que eu e ela fomos construindo juntas, passo a passo pra que chegássemos ali, e o mérito de poder dizer hoje que foi lindo, que viveria tudo novamente é dela, da Maria Eduarda que hoje apesar de ainda ter dois meses de vida, me fez renascer em cada segundo do trabalho de parto que vivi, em cada hora que passou, devo tudo a minha filha, ela que foi a protagonista de um parto respeitoso, cheio de zelo, de amor e como diz a musica que tantas vezes cantei pra ela ainda no meu ventre:
“É como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar.”
Embalei-me no misto de sensações ao pegar minha filha no colo pela primeira vez, de ver aquele rosto que eu tanto sonhei, que eu tanto esperei, o seu primeiro choro, meu acalento, ver o Bruno ali do meu lado com nossa filha, foi a experiência mais linda, forte que eu já vivi na minha vida.
Maria Eduarda chegou, embalada de amor e talvez o meu relato não seja dos mais emocionantes, talvez daqui a algum tempo eu volte e relate de forma diferente mas a certeza que carrego no meu coração, é que foi como deveria ser, que o meu parto trouxe a tona o sentimento mais belo que um coração pode sentir, o amor, amor que não tem limites, que vai ao extremo, que nos faz capaz!
Foram 17 horas refazendo conceitos do que eu fui 17 horas regando a maternidade como uma flor a desabrochar, amando minha filha, amando nossa hora, nossa lua, nosso dia 23 de junho.••.
Nasceu,23 de junho às 17:39 hrs,49 centímetros ,2.760 kg
minha Maria Eduarda e eu...
aos 21 anos renasci com ela também <3









